Entre Quatro Paredes e Nada Mais LIVRO

quarta-feira, 31 de dezembro de 2014

Canto escuro.

Canto escuro.

A luz que ilumina o dia não alcança este canto escuro...
E as árvores com suas raízes profundas não conseguem perfurar o solo...
E alcançar o seio úmido de água...
Se ao menos uma lágrima escorresse.



Estas portas que estão sempre trancadas e
Cujas janelas não se expõem a luz tudo é cibernético...
Não haverá sol... Que possa iluminar este canto escuro...
Ele esta segredado pelo preconceito.



Se há escritor para descrever a luminosidade do sol e o clarão da lua...
Também haverá aqueles que descrevem os becos, os porões...
Os subterrâneos da mentalidade humana...
E que exploram os sentimentos humanos



Que vão ao esterco remexe o lixo e não enterram os erros humanos...
Onde os mortos vivos aguardam em silencio presos aos túmulos...
Para não saírem mais, eles aguardam...
A luz que não ilumina este canto escuro.



segunda-feira, 29 de dezembro de 2014

Plácido "Fazendo" Carreras por Danka Maia







A HISTÓRIA DE DOIS GRANDES MÚSICOS



Trago hoje uma das histórias mais nobres e  linda que pessoalmente amo.Refere-se a dois dos três tenores que encantaram o mundo com suas vozes maravilhosas.Mesmo quem nunca conheceu a Espanha conheceu a rivalidade que existiu entre catalães e madrilenos, dado que catalães lutam pela autonomia  numa Espanha dominada por Madrid.
Pois bem...
Plácido Domingo era madrileno e José Carreras era catalão.Devido a divergências políticas, os dois se tornaram inimigos em 1984.Como ambos eram muito solicitados em seus contratos havia uma cláusula primordial,só se apresentariam se o inimigo não estivesse presente.
Mas ai veio a Vida, e  trouxe com ela uma grande história.
Em 1987,surgiu na vida de Carreras um adversário muito mais impetuoso com Domingos, veio o diagnóstico:Leucemia.
Começava sua luta contra o câncer.Era uma luta muito árdua,difícil e parecia não haver muitas esperanças.Carreras se submeteu a um tratamento nos Estados Unidos através da medula óssea que o obrigava a trocar o sangue uma vez no mês,ou seja,a viagem ao país americano tornara-se sua única saída.Com isso ele não podia trabalhar e era dono de uma fortuna mediana,mas os altos custos na época para o tratamento rapidamente delapidou o seu patrimônio.Quando seus recursos se esgotaram,teve a informação que uma Fundação em Madrid que apoiava o tratamento dos portadores de leucemia. E graças a esta Fundação,chamada "Formosa" o renomado tenor pôde voltar a cantar e abrilhantar nossas vidas outra vez.Carreras ficou tão tocado e sentiu-se tão abençoado por aquela Fundação ter surgido que decidiu se associar a mesma.
Num dos eventos onde Plácido Domingos se apresentava Carreras surpreendentemente o interrompeu.Subiu ao palco,humildemente,ajoelhou-se ao seus pés ,pediu-lhe desculpas e agradeceu publicamente  a Plácido que o ajudou a levantar-se e com um forte abraço selaram o início de um começo de uma grande e bela amizade.
Mais tarde, um jornalista indagou a Plácido Domingos:

_Porque criou a Fundação Formosa, num gesto que ajudaria seu inimigo e também o maior concorrente de sua carreira?

Sua resposta foi curta e firme:

_Porque o mundo não poderia perder uma voz como aquela.

Pois bem,eu rememorei essa história porque antes de tudo é sim uma grande história de exemplo, de amor ao próximo, de saber superar questões, reunir forças e ir além. A história de Domingo e Carreras incide numa frase da qual creio e defendo, e que hoje deixo como reflexão para todos nós:

"Na vida quem não serve para servir,não serve para viver."

E se aquela picuinha não tivesse sido resolvida de modo tão humano e grandioso,hoje nós não poderíamos regojizar neste espetáculo que deixo aqui para sua reflexão.



Amigos Para Sempre!








SHAKESPEARE APAIXONADO por Danka Maia











Laura sempre achou no mínimo curioso esse jeito louco que a vida às vezes se apresenta. A primeira vez que o viu, notou que era bem claro, cabelos compridos, poderia ser um tipo clássico do bem arrumadinho, mas o moço castigado pelas mazelas das ruas era somente alguém que ia abrir a porta dos carros de um flat com a finalidade de receber trocados ,achava estranho um flat de alto padrão aquisitivo permiti-lo ali, mas a médica não sabia bem a razão.Naquela noite ela ia abrir a porta do seu veículo quando ele surgiu do nada e jovem decidiu cumprimenta-lo:

Laura
_Boa noite.-O estacionamento encontrava-se em silêncio apesar dos muitos veículos que estavam ali,seus donos moradores feito a médica.Tudo que recebeu dele foi a indiferença,nada mais.A segunda vez,foi até ele soturna.O estacionamento em breu,a luz havia faltado logo quando a moça adentrou e parou seu auto.De novo aquele homem pairava ali,por algum motivo semelhava preocupado.Descendo do auto e o fechando como de costume,mordiscou os lábios e ousou:

_Senhor, algo errado?

_A verdade nunca perde em ser confirmada. - indo revolver caixas, a jovem parou e achou interessante escutar a citação do autor Willian Shakespeare.

_Sempre o vejo por aqui.Fiquei sem saber se deveria ou não lhe falar.

_Ah... Nossas dúvidas são traidoras e nos fazem perder o que, com frequência, poderíamos ganhar, por simples medo de arriscar.- Outra alusão de seu escritor favorito, dessa vez Laura o indagou diretamente:

_Conhece Willian Shakespeare?

E pela primeira vez de fato a notou e no mesmo instante se encantou com os doces olhos verdes da jovem médica e sussurrando dissertou:






Shakespeare Apaixonado

_Assim que se olharam, amaram-se; assim que se amaram, suspiraram; assim que suspiraram, perguntaram-se um ao outro o motivo; assim que descobriram o motivo, procuraram o remédio.

Laura pairou diante da declamação tão inspiradora do homem e também segredou:

_Lindo!

Ele sorriu e desviou-se dos olhos dela.

_Como se chama?

_Dizem que oscilo entre  um escritor rebelde, um romântico incurável, um hábil plagiador e mesmo um ator trapaceiro e ganancioso. Há até quem diga que eu nunca existi e minhas peças seriam obra de um mero desconhecido.

_Quer me convencer que você é Willian Shakespeare?- soltando um belo riso.

_Do jeito que o mundo anda, ser honesto é (igual) a ser escolhido entre dez mil.

_Então sou Julieta  Capuleto!_ ironizou com charme saudando como as moças daquela época, um pé atrás do outro.

_Poderia recebê-la com muito prazer, mas isto seria deveras constrangedor não é verdade?

Laura rebateu:

_Não entendi.Por quê?

_Minha dama,fui quem a criou,lembra? O que é que há, pois, num nome? Aquilo a que chamamos rosa, mesmo com outro nome, cheiraria igualmente bem.

Laura sentiu-se perturbada e ao mesmo tempo imbuída de um sentimento novo para si.Sabia que ele fizera uma outra menção do que Romeu dissera sobre o nome de Julieta quando a conheceu.


Chacoalhou a cabeça para livrar-se da momento e estendendo a mão apresentou-se devidamente:

_Meu nome é ...- O  moço misterioso novamente a interpelou.

_Julieta Capuleto. Não se  perturbe em me expor nadar além disso, a verdade nunca perde em ser confirmada.Quando a solicitam evidentemente, o que não é o nosso caso.- _E tocando a mão dela gentilmente a beijou como quem toca a pela de um anjo, e o frescor do seus lábios fez  a moça sentir um súbito arrepio que piorou entre a nuca ao fim da espinha dorsal.Discreta, pôs a mão sobre o pescoço com intento de inibir aquela estranha mas deleitosa sensação, desvincilhou a mão dele e com um suspiro contido agradeceu e despediu dele:
_Boa noite Shakespeare.

_Sim Shakespeare...E agora apaixonado!- erguendo a mão esquerda em direção a ela com uma ternura arrebatadora nos olhos permitindo que fosse.

Em ocasiões como essa, ninguém sabe exatamente o que pensar, fazer ou tentar explicar com lógicas. Quando o sentimento bate é difícil conter o bichinho do será que eu devo?

À noite jamais fora tão longa. A cama parecia um iceberg fazendo a médica rolar de um canto a outro em busca de um bocado de calor para apaziguar seu espírito, mas o ardor que seu corpo pedia era outro, novo e bom demais para se consumir sozinha. Sentou na cama, gotas de suor rolavam incessantemente pelo seu pescoço,era notório para si que algo a possuíra. Colocou o penhoar e não quis saber se eram três da manhã, quem liga para  horas no relógio sem ponteiros do coração?

Por cinco vezes chamou o elevador que teimosamente não surgia a sua frente e em dez segundos estaria no térreo.Morava no vigésimo andar, toda princesa tem sua torre, no entanto neste conto de fadas será ela quem descerá para encontrar aquele que pode ser seu príncipe encantado. De tanto esperar, impacientou-se e decidiu descer os vintes lances de escada, os primeiros com as pantufas  felpudas, depois para agilizar as arrancou deixando pelo caminho entre um degrau e outro pondo-se mais célere ir em busca de seu objetivo.

 Ofegante, com pelo menos quinhentos gramas eliminados pelo esforço, Laura abordou no lounge do prédio indo direto aos rapazes no plantão da noite.

_Meninos boa noite!- arrumou-se da melhor maneira que pôde ajeitando as curvas exibidas pela transparência da vestimenta.

_Boa noite senhorita Laura, em que podemos ajuda-la?- o rapaz foi determinado fingindo não ver a bela forma da jovem.

_Eu gostaria...Não, a verdade é que eu preciso, careço , necessito encontrar aquele homem que fica aqui de vez em quando tentando abrir as portas em troca de trocados dos moradores.Certamente sabem de quem falo, ele está sempre por ali!- apontando com o dedo e houve um minuto de silêncio entre os rapazes que se entreolharam e então um deles rompeu a calada.

_Senhorita Laura,não sabemos de quem está falando.

_Como não?- revoltou-se. Eu o vi pelo menos uma cinco vezes ali tentando abrir a porta dos veículos de quem chegam, alto, branco, cabelos longos,maltrapilho. Gente pelo amor de Deus! E ontem foi quem abriu a porta do meu... - Laura ia completar a frase com a palavra quarto, todavia, sabia que ele tinha aberto portas muito mais profundas dentro de si, uma delas do próprio coração.

_Sentimos muito senhorita,mas ninguém com essas características jamais esteve aqui,até porque seria contra as regras de segurança do local.

De repente caindo em si sentiu-se ridícula frente aos demais.Semelhava uma louca, como ela sendo alguém tão racional se permitira tamanha imbecilidade. Volveu ao quarto pelo elevador, e assim por cinco anos resolveu consigo  aceitar aquilo como fruto de um sonho, nada mais.

Com a carreira estabelecida era hora de dar outro passo,construir uma família, a questão é que de certa forma isso implicaria em enterrar de vez a única lembrança que ela possuía do seu,só seu Shakespeare Apaixonado.

Todos os dias,em algum instante fosse com papel e caneta ou na tela do notebook, celular escrevia todas as frases que ele a dissera:




A verdade nunca perde em ser confirmada.


Nossas dúvidas são traidoras e nos fazem perder o que, com frequência, poderíamos ganhar, por simples medo de arriscar.


Assim que se olharam, amaram-se; assim que se amaram, suspiraram; assim que suspiraram, perguntaram-se um ao outro o motivo; assim que descobriram o motivo, procuraram o remédio.


Do jeito que o mundo anda, ser honesto é (igual) a ser escolhido entre dez mil.


O que é que há, pois, num nome? Aquilo a que chamamos rosa, mesmo com outro nome, cheiraria igualmente bem.







Foi quando Danilo entrou em sua vida, conquistou sua confiança e milhares de vezes ouviu aquela mesma história: Shakespeare Apaixonado. Entretanto,o mero Professor de Matemática que tinha a lógica na veia se apaixonara por ela e de algum modo inexplicável também porque aquela história.




Com a coragem que só os apaixonados possuem, determinou-se a  fazer um lindo jantar na sacada do seu prédio, tudo muito improvisado, mas feito com carinho e simplicidade,as melhores coisas da vida são elaboradas com esses dois poderosos ingredientes,o resto é resto.

Após o jantar onde o frango queimou e sobrara as peito do pobre para ser degustado, o vinho que embora ao ponto não era de uma boa safra e ficou claro o detalhe quando caiu um taça no vestido de lindíssimo azul bem claro que Laura usava,Danilo ergueu a cabeça,e pegou suavemente a mão da moça um gesto muito semelhante ao que o outro fizera.

Laura rememorou o outro instante.Danilo percebeu porém foi assente:

_Sabe que sinto por você. Sei, respeito e amo a sua história no entanto,alguém precisa te dizer a verdade Julieta Capuleto.



A médica ficou comovida com delicadeza de Danilo, mas o indagou:

_Que verdade?

_ A verdade nunca perde em ser confirmada.- Uma rola desceu do canto esquerdo de seu olho.

_Danilo...Não sei se estou pronta.- Limpando a lágrima do rosto da senhorita o professor completou:


_
Nossas dúvidas são traidoras e nos fazem perder o que, com frequência, poderíamos ganhar, por simples medo de arriscar.

_E se eu não puder ama-lo do mesmo jeito?

_ Do jeito que o mundo anda, ser honesto é (igual) a ser escolhido entre dez mil. Só quero que tente.

Laura sorriu remexendo os braços um ao outro contra o corpo, pensou e perguntou:

_Amaria Julieta Capuleto?

Danilo tocou seu queixo e dentro daqueles intensos olhos verdes perdidos num tempo os resgatou falando:

_ O que é que há, pois, num nome? Aquilo a que chamamos rosa, mesmo com outro nome, cheiraria igualmente bem.

Laura de algum modo viu que talvez aquele homem poderia sim fazê-la feliz, porque a bem da verdade essa é uma das graças de saber viver,saber reconhecer oportunidades onde só havia um grande e longo deserto de emoções. A jovem por fim fez a derradeira pergunta:

_Seria outro Shakespeare apaixonado a amar a mesma Julieta Capuleto?

Danilo suspirou profundamente e de um modo que permeava entre o sedutor e o porto seguro foi categórico ao respondê-la:

_Não percebe Julieta? Nunca,jamais em tempo algum precisou de um Shakespeare Apaixonado e de algum modo vejo que ele te disse isso.

O que você sempre precisou para ser Julieta Capuleto de verdade foi de mim.

_Por quê?- enfim desarmando-se de qualquer emoção do passado.

_Pois para ser Julieta Capuleto carece de seu Romeu Montéquio, um homem capaz de qualquer sacrifício para provar o quanto vale a pena ama-la.

E chegou o dia que a moça compreendeu que fosse quem fosse Shakespeare Apaixonado, um fruto de um devaneio ou um aviso do Destino,o que realmente importava é que deveria seguir em frente e não de qualquer modo,com firmeza,dignidade,amada,amando e entender que se felicidade não existe quando nos fechamos em situações oras emocionais,sentimentais ou de qualquer outra natureza estaremos ainda muito mais longe do pelo menos ser feliz.

Ah! Não poderia esquecer!

Assim que se olharam, amaram-se; assim que se amaram, suspiraram; assim que suspiraram, perguntaram-se um ao outro o motivo; assim que descobriram o motivo, procuraram o remédio.









E foram felizes ,enquanto assim desejarem.



UM COPO DE ÁGUA por Danka Maia






Tissy e Cris tinham aquele vínculo materno que transcedem todo e qualquer entendimento.Eram amigas,companheiras, confidentes e acima de tudo Mãe e Filha na essência.Embora Tissy fosse uma mocinha de dez anos de idade e a mãe o triplo,a idade entre as duas era só um mero detalhe.Se compreendiam no olhar, eram do tipo que uma começava a frase e a outra terminava e em seguida gargalhadas gostosas perpetuavam aquele mágico instante na caminhada das duas.
Cris era mãe solteira, logo o correto a ser afirmado é que desempenhava a função de "Pãe",pois era pai e mãe de Tissy. Professora na rede pública, três matrículas, jornada de dez horas diárias em escolas distintas para que a filha tivesse o melhor colégio,as melhores roupas, resumidamente a melhor infraestrutura que ela como mãe zelosa e determinada pudesse oferecer com orgulho.
Tissy,como toda menina de sua idade, tinha um mundo cor de rosa onde ela e a mãe ocupavam o lugar de Rainha e Princesa.Naquele mundinho tudo era simplesmente perfeito,nenhuma palavra caberia ali além dessa  maravilha de ser perfeito.
Quando iam dormir o ritual era sagrado. A mãe colocava a canção na voz de Maria Betânia, as duas se olhavam por uma eternidade, a filha passava mão sobre os cabelos encaracolados da mãe e a mesma acarinhava o rosto da pequena como se ali se perdesse sem jamais querer resgatar-se. E ao findar da canção,Cris colocava as longas madeixas sobre o corpo de Tissy como quem buscava o colo da menina e na última nota da melodia a garotinha dizia a  frase de sempre:
_Um copo de água mamãe,por favor!
Cris sorria,beijando-lhe a fronte e ia até a cozinha deixando o copo d'água ao lado da cabeceira e ali além dessa perfeição.





Eu sei e você sabe
Já que a vida quis assim,
Que nada neste mundo
Levará você de mim...
Eu sei e você sabe
Que a distância não existe,
Que todo grande amor
Só é bem grande se for triste,
Por isso meu amor
Não tenha medo de sofrer,
Pois todos os caminhos
Me encaminham pra você...
Assim como o oceano
Só é belo com o luar;
Assim como a canção
Só tem razão se se cantar;
Assim como uma nuvem 
Só acontece se chover;
Assim como o poeta
Só é grande se sofrer;
Assim como viver
Sem ter amor, não é viver;
Não há você sem mim,
E eu não existo sem você!




Mas veio o Destino,que nem sempre é belo ou explicável aos nossos meros olhos humanos.Foi num dia na volta da escola, quando iam atravessar o cruzamento de uma rua ao lado do shopping Plaza em Niterói que se encontravam no meio da passagem com sinal fechado um motorista cruel avançou o sinal e no reflexo quando Cris soltou a mão de Tissy viu que ele o atingiria em cheio,com aqueles rompantes que só quem é mãe pode ou pelo menos consegue elucidar a empurrou para meio fio e fez de si o alvo do assassino de quadro rodas.
E o mundo em si continuou,no entanto, o de mãe e filha rompeu-se naquele exato segundo.
Dias depois do lamentável episódio,numa reunião familiar Tissy passaria a morar com a sua avó materna, a Vó Beta.
Beta amava a netinha,estava pronta para tentar suprir a maior falta que um ser humano pode ter,perder o ser que dividiu sua alma,seu corpo e sua vida para gerar o outro,para viver em função dele,ou como também chamamos:Mãe.
No fundo a avó compreendia que não conseguiria jamais sanar aquela falta porque o elo entre elas ia além de qualquer tentativa de amor por mais puro que fosse.
No quinto dia após a morte da mãe, a menina não podia parar de chorar, abafava a dor com o travesseiro sobre a boca. Beta surgia,vinha conversar, acarinhar, acolher mas... era sempre assim que terminava suas incontáveis tentativas, em três pontos de reticências.
Naquela noite, Tissy indagava bem baixinho em sua nova cama:
_Por que mamãe? Por quê me deixou aqui sozinha? Aqui tão sem você?
E o vazio que interruptamente vinha desde a partida de Cris naquela noite foi rompido.Tissy soluçava com o travesseiro sobre o rosto com sentiu o peso daqueles cabelos longos e cacheados sobre a altura da sua cintura.No rompante entre o medo e a saudade indagou entre sussurros:
_Mamãe?
Apenas uma voz chorosa foi ouvida:
_Filha,escute,não quero que chore mais por mim,entendeu?
_Mas você me deixou só.- respondeu a garotinha com teimosas lágrimas escorrendo pelos olhos.
_Não foi de propósito,não foi o combinado. Porém mamãe precisa que entenda,eu jamais suportaria se aquele carro tivesse levado você em meu lugar.O natural da vida é que ela siga seu curso, e neste curso os filhos enterram seus pais e não os pais seus filhos.Pode compreender isso minha princesa?
 Depois de um momento do mais absoluto silêncio, Tissy respondeu a mãe:
_Está bem mamãe,não vou chorar mais.Prometo.
_Acredite,eu sempre vou estar com você.
_E como vou saber se é verdade?
_Confie na mãe,saberá.
_Mãe...
_Sim amor.
_ O céu é bonito?
_Sim,é lindo.Mas não é perfeito.
_Por quê?_ Indagou e foi se virando na tentativa mais confiante de vê-la.Entretanto,sua voz segredou antes de desaparecer:
_Porque você não está nele minha flor.

No sétimo dia do falecimento, após uma reunião familiar para dar mais suporte a menina, Tissy foi dormir.Contudo, uma velha amiga veio visita-la, a sede. Pensou consigo:
_E agora? Quem lhe traria o copo de água?- Uma lágrima brotou,porém lembrando da promessa que fizera a mãe a conteve forte e foi nesse segundo que viu uma silhueta sair da cozinha e sair pela portas dos fundos. Em seus adágios pensou em todos da casa,só que todos jaziam na sala,conversando,rememorando e discutindo como elaborar o futuro da garota da melhor maneira que podiam.
No ímpeto Tissy levantou-se e foi de passo em passo,vagarosamente até chegar a cozinha.Não havia ninguém ali, frustrada quando ia virar as costas e regressar ao quarto seus olhos passearam pela pia da cozinha e foi que um sorriso lindo nascera outra vez em seu rosto.
O mesmo copo com água até a metade com um pires rosa o respaldando como sempre fora pairava ali como se estivesse somente aguardando o seu olhar e a sua sede e lhe dar a garantia de que jamais estaria sozinha por toda sua vida.

Pois é leitores,o amor verdadeiro excede qualquer entendimento.
Ultrapassa qualquer fronteira.
Perpetua em qualquer coração que esteja disposto a cuidar dele de modo incessante, devotado e principalmente, com intensidade.


EU NÃO EXISTO SEM VOCÊ-MARIA BETÂNIA









SEM PALAVRAS por Danka Maia


Este é um conto antigo porém nunca tão atual, achei em meus arquivos e que decidi dividir com vocês.


      Na esquina de um lugar qualquer às três horas da manhã ele sempre chegava com a sua vestimenta funesta habitual: Calça, camisa, meias e sapato de fina estirpe, todos de cor preta. Salvo somente o chapéu, inda sim com uma lista preta. Sim, era um homem de cenho fechado, porém muito charmoso em seu jeito taciturno e clássico.  Era do tipo calado, cabeça baixa, poucos amigos, mas tudo isso se transformava quando surgia na ponta da outra esquina: Ela. Então o seu dilúculo tornava-se sol. O vestido rubro de decote provocante e ao mesmo tempo comedido, dando oportunidade de fazê-lo imaginar tudo sem saber como de fato era, o deixava ainda mais enlouquecido. A Dama, como a intitulava, ininterruptamente o abordava da mesma forma. Vinhas em passos delicados, quadris envolventes, perfume amadeirado, cabelos castanhos presos num coque afrouxado, olhos verdes e absorventes, duas esmeraldas que iluminavam a alma lúgrume do velho homem.
O toque dela em sua pele era percorrer da mão esquerda a altura do pescoço, repousar os lábios num leve mordiscar enquanto a sua mão apertava forte abaixo do ombro onde jazia a tatuagem que fizera com a imagem dela caminhando naquele infinito breu em sua direção. Aperta-la era um modo de lhe dizer entre os adágios:

_Sua imagem acaba de se materializar meu senhor.

 Por outro lado, Cavalheiro, como Dama, a apodava sem nunca saber que ele a titulava de tal modo, uma vez que jamais trocavam nenhum vocábulo, tinha  seu jeito próprio de doma-la.Esperava aquele segundo preciso de sentir os calor de seus lábios em seu colo para envolver suas mãos , uma pela cintura, outra que percorria ousadamente pelas suas costas indo assentar-se em sua nuca e ali firma-la até que  encontrasse seus olhos verdes dentro dos negros dele.

Enfim, mais uma vez, estavam em plena sintonia.

     A primeira vez que se viram, Cavalheiro jazia naquele beco parado com o olhar perdido, enquanto uma batida gitana o fazia companhia advinda de um infeliz sem-teto que do outro lado da cabeceira da ponte tocava ferrenhamente enquanto cacos queimavam a e se misturavam no fogo improvisado dentro de um latão de zinco de uns cem litros, afinal a noite era fria e ali a solidão era companheira fiel e dura.
Cavalheiro remediava as batidas batendo contra coxa arqueada na parede onde semelhava esperar o que não possuía, não havia esperança e ele não era do tipo que cria que alguma coisa ainda pudesse surgir em sua vida e mudar seus conceitos ou virar sua cabeça, muito menos que isso dimanasse de uma senhora. Isso era o que julgava, mas uma coisa é o que se pensa, a outra é a que realmente acontece na vida nossa de todo dia.
A privilegiada informação que tinham um do outro é que nada sabiam além daqueles momentos intensos que vivenciavam de modo furtivo, afoito e imortal. A paixão entre eles saltavam entre os poros de seus corpos e por isso se consumiam de modo abissal e ardente uma vez que desconheciam qual seriam o seu último instante juntos.
Dama veio com passos fortes que o seduziu desde aquele segundo, o provocou dedilhando os dedos entres os seios deixando claro que agora sua respiração ofegava por outra razão, gostava de provocar, faria tudo para no próximo minuto tornar-se submissa ao seu senhor, esse era seu intento, era disto que gostava. Possuía aquele andar de uma mulher forte, sem medos ou delicadezas e ao mesmo tempo tão feminina. Jamais saberemos o que a fez passar naquela esquina e naquele dia e em tal ocasião. Tudo que saberemos é que veio do lado oposto ao dele.
A partir do momento que se amoldavam e suas almas se amordaçavam o mundo poderia ser o próprio inferno,nada arderia mais do que a fleuma que os incineravam, era como se os fluidos corporais de um tomasse a alma do outro no roçar da pele. Uma vez Cavalheiro tentou arguir uma única nota, mas sua Dama pôs o dedo indicador em seu peito e balançou a cabeça levemente enquanto mordiscava os lábios porque sabia que isso o desarmaria ainda mais.

 E quando estava em seus braços, a dona se permitia reprimir. Seu homem compreendia que fazia parte do jogo, arrastava empurrando com o peso do seu corpo para um canto inda mais sombrio do beco, o riso solto e cativante dela o deixava alcançar que mais uma vez  improvisara o que sua Dama queria sem ao menos um som ser emitido entre eles.
As maiorias das pessoas acham que amor, paixão são sentimentos que se expressam usando palavras ou frases do tipo:_Eu te amo ou _Você me enlouquece! Às vezes algumas circunstâncias te obriga sem um tom imperativo a compreender que ler o corpo, o olhar, a face,o modo do ser que desejamos, amamos ou meramente nos envolve da forma mais carnal pode ser o inusitado modo e o melhor de extrair uma reação quente, árdua e delirante.
Que homem ou mulher não quer ser compreendido por seu parceiro só num olhar ou numa transmissão de pensamento?
 Seria uma utopia ou síncope?
Não senhores, é apenas tornar que julgamos como o impossível, tornando-se possível através do motor que revira a alma: O Desejo.
 

Dama gostava do encontro de sua língua quente e avermelhada com a de Cavalheiro, era ali que de fato acontecia para ela, mesmo que o ato dele desafrouxar o coque de seus cabelos e  os sacolejar para que suas mãos encontrasse o rosto dela outra vez. Dar a seu homem seus desejos mais ocultos e ternos, era como confidenciar a Deus por todos os seus pecados, inclusive aqueles que cometera em plena consciência.Aquele homem arrancava de sua seiva o melhor e o pior dela. Colocava  sua língua dentro da boca dele delicadamente, era importante para a dona analisar a reação de seu parceiro.E ao notar o quanto o seu corpo se voluteava por ela,segurava mais firme sua nuca começar a soltar a sua imaginação e brincar com a língua dentro da boca dele. Tentava enlouquecidamente sugar a língua dele e fazer como  sua. Impetrava que se tocassem se completassem, se amassem como num furor de uma tempestade. Depois passava a sua língua de breve e de forma rápida pela parte debaixo do lábio de seu Cavalheiro. Ele por sua vez ditava as ordens com a pegada de seu corpo junto ao dela. Seus corpos obedeciam às oscilações de suas línguas.

 Cavalheiro amava  passear sem nenhuma pressa pelo corpo de sua amada. O tempo com ela definitivamente parava, apreciava o cheiro doce de sua pele, aroma que jamais soube decifrar com outra palavra que não fosse viciante.
A sensação de ver e sentir os pelos de seu corpo se arrepiando quando  revolvia as mãos ou segurava firme o queixo dela  enquanto sua boca momentaneamente livre ia pairar  descendo seu colo até chegar aos seus seios era a máxima da excitação para ele.Sabia que Dama chegava ao ápice, a ansiava assim, perversa e ao mesmo tempo dominada como um pobre cordeiro indo ao seu holocausto por vontade própria. Raspando suas unhas em seu couro cabeludo e descendo para regaço, tentava morde o lábio inferior dele,mas a mão firme no seu maxilava e os olhos dele eram talhantes,agora era seu homem que ditava as regras e mais ensandecida era concebido o volição no seu sexo. Com movimentos selvagens puxava os cabelos do seu homem, desvencilhando de sua mão com uma módica briga de tapas onde ele a travava sem força no ar pelo punho e com um riso de canto de boca permitia prosseguir, e agarrando-o a calça pelo cinto, pondo-se de joelhos, era hora de rezar, todavia não pela absorção de pecados e sim para consumação do maior deles:A luxúria.





 E ia descendo o zíper da vestimenta lentamente com os olhos nos dele.

O ritual começara a se consumar enfim.

As posições entre eles eram ilimitadas na transa,contudo jamais repetitivas, sem ou com dor a certeza mesmo era: Sem pudores.Como arrancar cabelos, mordidas e dar batidinhas  e sem poupar as unhas, sem machucar,e no olhar deixavam:

 _Isso foi tão quente.

 Reforçado com um texto vigoroso:

_Você é tão bom, que eu pagaria por isso.

Mas sem proferir em nenhum segundo uma letra se quer.

Ao se despedir o ar era leve,o sol soltava seus primeiros raios fulgentes e lindos,talvez por tê-los contemplado em oculto o deixou extasiado.O beijo era simples porém díspar,o laço se desvencilhava no largas dos dedos esticados,uma vez que iam em posição opostas,e antes de desaparecerem cada um em sua esquina da vida,pararam, volviam um para outro no mesmo eixo de seus corpos,sorriam e suspiravam.

Se mais um dia amanhecera, é porque haveria outra noite,e isto era o bastante para que os amantes soubessem que o Destino conspirava ao seu favor pelo menos mais uma vez.



BEIJOCAS GALERA!!





DEZ ANOS DE TSUNAMI

Homenagens às vítimas marcam dez anos do tsunami que afetou vários países

Tsunami que aconteceu em 2004 deixou 230 mil mortos no Oceano Índico, em países como Indonésia, Tailândia, Sri Lanka


AP Photo/Heri Juanda
Mulheres rezam dentro de uma casa destruída durante o tsunami de 2004. A oração marca os 10 anos do desastre
Milhares de pessoas participaram na Indonésia de uma homenagem às vítimas do tsunami que, há dez anos, causou 230 mil mortes no Oceano Índico. Uma série de cerimônias está prevista para ocorrer em toda a região.
Parentes das vítimas e sobreviventes reuniram-se em oração na mesquita de Baiturrahman, em Banda Aceh, capital da região de Aceh, no norte da Ilha de Samatra, a área mais afetada, com cerca de 170 mil vítimas.
'Sobrevivi abraçada a coqueiro', lembra vítima da tragédia de 2004
Entenda como é formado um tsunami
AP Photo/Binsar Bakkara
Homem reza em Aceh, uma das regiões mais atingidas pelo tsunami de 2004
A mesquita foi uma das poucas construções que se manteve de pé e serviu como refúgio para as pessoas nos dias posteriores ao desastre natural, provocado por um terremoto de 9,1 graus na escala Richter. O governador de Aceh, Zaini Abdullah, fez um agradecimento aos participantes, tanto locais quanto estrangeiros, quando chegou à mesquita.
"O tsunami causou profunda dor ao povo de Aceh pela perda de entes queridos. A simpatia dos indonésias e da comunidade internacional ajudou (Aceh) a se recuperar", disse Zaini.
As cerimônias que marcam os dez anos do tsunami em Aceh incluem exposições fotográficas no Museu do Tsunami, mostras de artesanto e terminam amanhã (27), com uma corrida de dez quilômetros ao longo das áreas que mais sofreram o embate das ondas.
A catástrofe causada pelo tsunami vai ser lembrada em mais 14 países em que o desastre natural provocou mortes, como na Tailândia. Em Khao Lak, popular destino turístico da Tailândia, o décimo aniversário do tsunami vai ser marcado por leitura de poesia, velas e orações em homenagem às vítimas.
O tsunami deixou cerca de 5.4 mil mortos e 2.8 mil desaparecidos na Tailândia, a maioria turistas estrangeiros que passavam férias de Natal. Outras cerimônias serão feitas na Índia e no Sri Lanka, que juntamente com a Indonésia e Tailândia, foram os mais afetados em número de mortos.
Imagens feitas por satélites, mostram regiões da Indonésia antes e depois do Tsunami de 2004. Foto: Nasa
Impacto da onda gigantesca foi tão grande que alterou quadro geográfico da Indonésia (arquivo). Foto: Nasa
Imagens mostram o antes e o depois de regiões atingidas pelo tsunami da Indonésia (arquivo). Foto: Nasa
Corpos estendidos após tsunami da Indonésia (arquivo). Foto: Wikimedia Commons
Destroços tomaram conta de cidade da Indonésia após tsunami de 2004 (arquivo). Foto: Reprodução/Youtube
Onda gigante atinge a costa da Tailândia, um dos 13 países atingidos pelo tsunami (arquivo). Foto: Wikimedia Commons
Pai atravessa com filhas rua inundada em distrito comercial de Jacarta (17/01/2013). Foto: Reuters
Equipes de resgate atuam no litoral da Indonésia (arquivo). Foto: Wikimedia Commons
Mesquita Grand Baitul Makmur, em Meulaboh, após tsunami de 2004 que destruiu a Indonésia (arquivo). Foto: Wikimedia Commons
Rua do centro de Banda Aceh, Indonésia, após tsunami (arquivo). Foto: Wikimedia Commons
Restos de casa em Aceh, Indonésia, um ano após tsunami (arquivo). Foto: Wikimedia Commons
Jamaliah, à esq., beija a filha Raudhatul Jannah, 14, que reencontrou após dez anos. A menina sumiu durante o tsunami de 2004, em Banda Aceh (8/08). Foto: Reuters
Homem ajuda criança a sair de local alagado após tsunami da Indonésia (arquivo). Foto: Reprodução/Youtube
Idoso é retirado do local alagado após onda gigante atingir área da Indonésia em 2004 (arquivo). Foto: Reprodução/Youtube
Homem tenta driblar correnteza após onda atingir a Indonésia (arquivo). Foto: Reprodução/Youtube
Criança desacordada é retirada da água após tsunami atingir Aceh, Indonésia (arquivo). Foto: Reprodução/Youtube
Imagens postadas no YouTube mostram o momento em que as ondas invadiram o litoral da Indonésia (2004). Foto: Reprodução/Youtube
Resorts foram invadidos pelas ondas gigantescas vindas da praia (arquivo). Foto: Reprodução/Youtube
As ondas ultrapassaram os 30 metros na Indonésia, um dos 13 países atingidos pela tragédia (2004). Foto: Reprodução/Youtube
Milhares de mortos foram confirmados em vários países, inclusive na Indonésia (arquivo). Foto: Reprodução/Youtube